MARCO POLO: a aventura de um veneziano - por Manuel Simões

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A grande viagem realizada pelo mercador veneziano Marco Polo ao Oriente durou vinte e quatro anos. Em 1271, então com dezassete anos, Marco Polo partiu para a China, acompanhado pelo pai e pelo tio, que já haviam efectuado idêntica viagem. Depois de três anos e meio de muitas aventuras, os Polo chegaram à corte de Kubilai, onde efectuaram negócios durante dezassete anos. Após este espaço temporal, o pai e o tio regressaram a Veneza, tendo Marco Polo ficado na China e onde prestou diversos serviços ao Grão-Khan.
A China tinha sido incorporada no Estado mongol em 1215, estado que fora dividido em pequenos reinos. Para os mongóis, que tinham ameaçado a Europa e chegado aos arredores de Viena, havia o Islão como inimigo comum e que controlava o comércio entre o Oriente e o Ocidente. O facto de no séc. XIII a cidade de Veneza dominar vários territórios do mar Egeu permitia aos mercadores venezianos um acesso privilegiado à chamada rota da seda, factor primordial para a viagem da família Polo.
Após o regresso a Veneza, Marco Polo conheceu a fama mas também a desgraça. Em 1298, durante a guerra entre Veneza e Génova, Marco Polo foi feito prisioneiro e encerrado no cárcere de Génova. Aí ditou a Rustichello da Pisa as suas memórias que este converteu, em prosa franco-italiana, no livro chamado “Divisament dou monde, logo a seguir conhecido com o título “Il Milione” (alcunha da família Polo, formada por aférese de “Emilione”, nome de um antepassado da família).
“O Livro de Marco Polo”, como também é conhecido, já desde o séc. XV teve grandes implicações com a cultura lusitana, visto que, segundo a tradição, o Infante D. Pedro - o das Sete Partidas –teria trazido de Veneza, em 1428, uma cópia manuscrita da tradução latina da obra, possivelmente o exemplar que existia na biblioteca do rei D. Duarte, já em parte traduzida para português pelo próprio D. Pedro.
O mesmo exemplar manuscrito da versão latina de “Il Milione”, feita por Frei Francesco Pipino de Bolonha, a mais difundida na Europa – a edição impressa só começou a circular a partir de 1485 -, deve estar na base da tradução portuguesa publicada por Valentim Fernandes em 1502, com o título “Livro de Marco Paulo”, de que se desconhece o tradutor, embora haja boas razões para supor, como aliás sugeriu Francisco Maria Esteves Pereira, que o impressor tenha utilizado uma cópia da antiga versão portuguesa que figurava na biblioteca real, versão modernizada de acordo com o uso linguístico dos finais do séc. XV.

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publicado por Carlos Loures às 21:30
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